A situação atual moldou o novo individuo, e fez com que o cidadão se resguardasse em uma redoma como se fugisse da verdade e da realidade em sua essência. São pessoas que se apropriam de um universo ‘fictício’ e faz deste, seu próprio ambiente.

O sujeito contemporâneo tem reduzido suas atividades à robótica e apela para o uso excessivo de comodidade é muito viável o prazer de se iludir com o entretenimento barato proposto pela televisão, ou a ilusão do consumo exagerado no shopping implantado no mesmo terreno do condomínio onde mora.

Toda essa sensação de poder e status está diretamente ligada a fuga que o homem moderno planeja para manter-se distante do mundo real, como se o que há fora do parque residencial no qual reside não existisse. O sujeito remove de sua realidade o que não lhe é conveniente e fantasia permanência  em sua ‘redoma de vidro’ como se estivesse a salvo daqueles que fogem do padrão ideal.

Para tais pessoas o esperado é que estejam sempre em suas residências repletas de muito glamour com estruturas planejadas, para uma vida ‘segura e plena’, com uma condição regada a tecnologia de ponta e com toda sua mobilidade reduzida a e-mails disparados pelos seus respectivos notebooks, programas assistidos através de suas televisões de bolso, agendas eletrônicas que fazem o papel da memória do individuo, afinal tamanho é o excesso de informação que o mesmo não se atenta a lembrar nem ao menos  o dia de seu aniversário, entre outros aparatos que já se tornaram o real motivo da ‘existência’ humana atual.

Tal isolamento detém as relações humanas e inferiorizam qualquer tipo de sentimento a um 2° plano. As pessoas não são mais unidas à individualidade se tornou ponto crucial para uma vida considerada ‘segura’, quando na verdade trata-se de uma distorção da realidade que induz o individuo a ser alguém distante de qualquer fato seja este apropriado ou não. Tal isolamento simboliza um confinamento no qual o individuo pode encontrar tudo o que necessita para viver sem ter de se expor ao mundo e sem ter de arriscar seus bens materiais, que por diversas vezes valem mais que suas próprias vidas.

Assim o cidadão atual se mantém como refém da modernidade e descobre que não consegue se desligar da robótica e de toda a parafernália de ponta. Fazendo de sua vida uma eminente escrava da tecnologia e do consumo exacerbado.

Por Elaine Correia.