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Temos que assistir a mídia impressa brasileira se esvair e aceitarmos que não haja nenhuma manifestação quanto tal desestruturação dos jornais brasileiros. Presenciamos a Tribuna da Imprensa, a Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil (impresso) informarem seus respectivos encerramentos decorrente da brusca queda de tiragem e da inexistência de credibilidade, que molda o cenário atual da nossa imprensa. 

È no mínimo curioso perceber que o JB não estará mais presente em nosso cotidiano, sujando os dedos de seus leitores nas praias, nos escritórios, nas praças, nos botequins e nos transportes públicos como tem feito em seus 119 anos de história e o pior é ainda termos de compreender que a queda desse impresso se deve as suas dificuldades financeiras, que o obriga a atuar a partir de setembro somente no ambiente online.

A derrocada do Jornal do Brasil traz consigo diversas indagações do que será feito do futuro da imprensa brasileira? Afinal o presente tem proporcionado meios de comunicações desfocados, antiéticos e a beira da falência. È inevitável que haja comparações com os países vizinhos, a Argentina com o jornal Página 12, o México com o La Jornada, a Bolívia com o Câmbio que, aliás, foi criado há apenas oito meses e já se tornou sucesso absoluto entre os bolivianos e a Venezuela com o Correio de Orenoco. Todos esses países demonstram uma forte estabilidade em seus veículos impressos diferente do Brasil que vem mostrando a atuação de uma imprensa antinacionalista, que se esquece de motivar o investimento público em suas próprias atividades.

Necessitamos de apoio do Estado para que alcancemos uma efetiva sustentação econômica, no entanto ao invés disso estamos presenciando a decadência de nossos jornais como o JB que vem perdendo há décadas seus leitores, mesmo estando em um cenário onde existe a procura por leitura e qualidade de informação.

Será possível que o Jornal do Brasil não tenha arrecadado sua fatia dos bancos públicos, assim como O Globo e a Rede Globo que se criou de forma irregular com o apoio do Grupo Time Life? Fatos estes que só não enxerga quem não quer, mas os veículos considerados grandes renomes de nossa imprensa só ocuparam seus devidos lugares em conseqüência do apoio que obtiveram do Estado, muitas foram às falcatruas a fim de manipular a audiência no Brasil, a ponto da Rede Globo, retardar a chegada do controle remoto no país com o intuito de manter sua credibilidade ativa junto aos telespectadores.

Podemos às vezes imaginar que possuímos um jornalismo falido, afinal como é possível aceitar que não haja nem ao menos diálogos acerca da titularidade do diploma? Estamos presenciando a frustração de estudantes que passaram anos de suas vidas em universidades com o sonho de informar e apoiar seu país através de sua profissão, entretanto estamos vendo o número de profissionais na área aumentarem enquanto as vagas em mercado vão diminuindo.

Já com a obrigatoriedade do diploma no exercício do jornalismo tínhamos dezenas de trabalhadores com seus diplomas criando pó, dentro de gavetas esquecidas no tempo. Dessa forma é evidente, mesmo com a volta do diploma teremos ainda mais jornalistas sedentos por trabalho, obrigados a assistir a diminuição de vagas e ainda por cima aceitar seu povo sem ler jornal.

O governante desse país deve não somente estimular os brasileiros a manterem uma boa alimentação, ou a possuírem uma moradia descente, devemos motivar a população a obter  acesso a informação, a leitura e ao jornal. Talvez esses governantes queiram nos manter inertes, afinal assim seriamos manejáveis, ignorantes e crentes as farsas. O alimento deve vir também em forma de conhecimento, o jornal não deve manter-se como apenas embalagens de peixes e bananas nas feiras e muito menos como forro de chão das ‘supostas camas’ daqueles que foram esquecidos por esta nação.

 Por Elaine Correia